Evento reafirma resistência das artes cênicas com 13ª edição em formato especial.
A Mostra de Artes Cênicas Tiradentes em Cena realiza, entre os dias 13 e 17 de maio de 2026, sua 13ª edição em formato especial e reduzido. O evento reafirma a permanência das artes cênicas no calendário cultural da histórica cidade mineira e no circuito dos festivais brasileiros, mesmo diante de um cenário desafiador.
Em função do esgotamento do teto anual do Incentivo Fiscal à Cultura de Minas Gerais, a Olhar Cultural, realizadora do festival, reconfigurou a estrutura do projeto neste ano para garantir a preservação de ações artísticas e formativas essenciais, articuladas por meio de redes e parcerias construídas nesta sua trajetória.
Ao longo de treze edições, o Tiradentes em Cena consolidou-se como o principal festival da região das Vertentes, fortalecendo a economia criativa e o turismo cultural no interior. Em 2026, a curadoria mantém o foco na ocupação do território e nas artes da presença.
Entre os destaques está “O Circo a Céu Aberto”, do palhaço Piter Crash, apresentado no Largo das Forras, reforçando a relação direta entre arte e cidade. A programação recebe ainda “Peças Sonoras”, da coreógrafa Thembi Rosa com o duo O Grivo, e o solo “Perigosas Damas”, protagonizado por Geovana Pires, com direção de Denise Stutz e dramaturgia de Elisa Lucinda. Outro ponto alto é o “Melodrama da Meia-Noite”, que conta com a participação de Rita Von Hunty (foto ao lado), unindo humor e improvisação.
Para o público infantil, a Mostra traz o espetáculo “Brun Blaà”, do grupo Catarsis, referência em teatro para bebês. A edição promove também oficinas de danças urbanas, teatro de bonecos e atividades voltadas para escolas da região, mantendo o compromisso histórico com a formação e o acesso à cultura. Grande parte da programação será gratuita, e os espetáculos com bilheteria terão preços populares via Sympla.

Para Aline Garcia, diretora e curadora da Mostra, realizar o festival neste momento é um gesto de continuidade e resistência. “Realizar o Tiradentes em Cena este ano tem sido, antes de tudo, um gesto de permanência. Existe uma comunidade, um meio artístico e um público que reconhecem o festival como espaço de encontro, convivência, pensamento e circulação artística. Por isso, decidimos manter a Mostra acontecendo, preservando aquilo que sempre foi o coração do projeto: os encontros, a ocupação da cidade, as artes da presença e o acesso democrático à cultura”, afirma.
Aline destaca ainda a importância de fortalecer as artes cênicas fora dos grandes centros urbanos, reforçando que o festival segue firme em seu propósito. “As artes cênicas têm um papel fundamental na construção de pensamento crítico, pertencimento e desenvolvimento humano. Mesmo em um cenário desafiador, seguimos firmes. Porque a cena não se encerra. Ela resiste, se reorganiza e continua”, conclui a curadora.
No sábado, às 16h, vai acontecer no Instituto Rouanet, a Roda de Conversa “Teatro e Circulação em Festivais”, com Carolina Correa (foto ao lado). A partir de sua trajetória de 26 anos como professora de espanhol e de sua atuação como atriz, Carolina propõe uma roda de conversa sobre comunicação, intercâmbios culturais e circulação artística na América Latina. A atividade será um espaço de troca voltado para artistas, produtores e profissionais da cultura interessados em ampliar suas conexões com festivais, redes culturais e possibilidades de internacionalização.
Fotos cedidas pela organização da Mostra

